De maneira bem humorada, as personagens de Narradores de Javé, filme de Elliane Caffé, contam sua história para poder continuar existindo.
Diante da possível destruição do vilarejo pela instalação de uma hidrelétrica, os habitantes percebem-se perdidos. A solução seria mudar-se. Mas para onde? E suas famílias, sua história? Sim, revolta. Pessoas simples, numa comunidade pobre e ínfima, perto de tanto poder dos engenheiros e das autoridades, prestes a perder a única coisa que tinham, não poderiam sentir outra coisa.
Por se tratar de um lugar pequeno e distante de cidades maiores, Javé não era visto com respeito nem pelos próprios moradores que, em sua maioria, eram analfabetos. Para convencer as autoridades, era necessário que o lugar tivesse algo de muito importante a ser preservado. Disso, restou-lhe a história.
Para que a história de Javé fosse um argumento válido, deveria estar documentada cientificamente. Assim, seriam levados em conta apenas fatos. Nesse cenário, surgiram dois problemas: onde encontrar os fatos e quem os documentaria. Dos habitantes, apenas um escrevia fluentemente, mas era odiado por ter utilizado este conhecimento em detrimento da imagem de alguns e benefício próprio.
Antônio Biá, porém, era o único capaz de executar a tarefa, que era a única alternativa do vale. Ciente da situação, aceitou o convite e foi em busca dos fatos. Com isso, surgiram os confrontos de informações: cada habitante contava a história de Javé de acordo com sua própria ótica. Se era mulher, contava a história sob a bravura das acompanhantes do fundador, Indalécio. Se era um idoso, este era parente direto do grande chefe. Se era africano, Indalécio virava Indaleu. Isso dificultava o trabalho de Antônio Biá, e o desestimulava.
O senso comum, que, apesar de abranger experimentações é superficial, e, vindo de tantos ângulos diferentes, não configurava fatos. Sem isso, seria impossível salvar Javé. O método científico exige experimentação e também informações consistentes, para provar o experimento e permitir a documentação deste.
Biá, pressionado, tomado pelo seu já enraizado senso de irresponsabilidade e descrente das histórias que ouvira, desistiu de documentar. Javé foi engolida pelas águas da hidrelétrica, restando apenas na memória daqueles que viveram por lá. A memória falada.
Diante da possível destruição do vilarejo pela instalação de uma hidrelétrica, os habitantes percebem-se perdidos. A solução seria mudar-se. Mas para onde? E suas famílias, sua história? Sim, revolta. Pessoas simples, numa comunidade pobre e ínfima, perto de tanto poder dos engenheiros e das autoridades, prestes a perder a única coisa que tinham, não poderiam sentir outra coisa.
Por se tratar de um lugar pequeno e distante de cidades maiores, Javé não era visto com respeito nem pelos próprios moradores que, em sua maioria, eram analfabetos. Para convencer as autoridades, era necessário que o lugar tivesse algo de muito importante a ser preservado. Disso, restou-lhe a história.
Para que a história de Javé fosse um argumento válido, deveria estar documentada cientificamente. Assim, seriam levados em conta apenas fatos. Nesse cenário, surgiram dois problemas: onde encontrar os fatos e quem os documentaria. Dos habitantes, apenas um escrevia fluentemente, mas era odiado por ter utilizado este conhecimento em detrimento da imagem de alguns e benefício próprio.
Antônio Biá, porém, era o único capaz de executar a tarefa, que era a única alternativa do vale. Ciente da situação, aceitou o convite e foi em busca dos fatos. Com isso, surgiram os confrontos de informações: cada habitante contava a história de Javé de acordo com sua própria ótica. Se era mulher, contava a história sob a bravura das acompanhantes do fundador, Indalécio. Se era um idoso, este era parente direto do grande chefe. Se era africano, Indalécio virava Indaleu. Isso dificultava o trabalho de Antônio Biá, e o desestimulava.
O senso comum, que, apesar de abranger experimentações é superficial, e, vindo de tantos ângulos diferentes, não configurava fatos. Sem isso, seria impossível salvar Javé. O método científico exige experimentação e também informações consistentes, para provar o experimento e permitir a documentação deste.
Biá, pressionado, tomado pelo seu já enraizado senso de irresponsabilidade e descrente das histórias que ouvira, desistiu de documentar. Javé foi engolida pelas águas da hidrelétrica, restando apenas na memória daqueles que viveram por lá. A memória falada.